R ir
As vezes eu me sinto mulheres
Amando mulheres
Abraçando mulheres
Amando mulher
Escolhendo o feminino
Me sinto tão tão compreendida
Retribuída
Recíproca.
Beijando mulheres
Voltarei a ser eu quando sentir o gosto da mulher
Que vem em minha mente
A conhecida
A que desconheço
A amiga
Ou aquela que imaginei como uma mistura de faces que visualizei durante a vida, rostos que jamais irei tocar se não em sonho.
Eu já fui mulher, todas as vezes que pensei nelas.
Continuo andando para o fosso que me atrasei para vir.
Reconsiderei a trajetória, e olha que nem falo inglês.
Arrumei meus pares, desprendi-me dos pais.
Já nem sei se sou mulher ou bicho, o feminino as vezes me foge, como nanã.
Os holofortes me guiam, e enterro o que me faria feliz se eu fosse eu, absurdamente absoluta eu.
Seria diferente, não tão eu.
Já não sou feminina, mas não me julgue o oposto. Não me desarme do meu útero, a força da terra vem do sangue que me jorra, e deságua no mar mais puro, com a força de um parto indígena.
Fugi de mim.
Fugi gritando, acovardada.
Abracei o mundo azul, enquanto me apunhalava, não o mundo, eu.
Abracei tão forte, não soltei depois da morte. Me precipitei e morri.
Morri de rir
Não me valia as risadas fartas? Morri de todo modo.
Não me valeria nem a falta
Corri, corri, cai e morri
De rir
A falta de ar nos pulmões me levou
Tão leve
A dor se mistura com o prazer
Sinônimo-antonimos eu diria
Sentimento não se explica, não se guarda, tão pouco se revela integralmente.
Eu diria que sou uma mulher risonha, e desacostumada a transbordar faltas.
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